TRILHAS
Caminhando pela Trilha dos Deuses
O Sentiero degli Dei é a melhor caminhada da costa, no alto da crista acima de Positano. Como é realmente a Trilha dos Deuses, além de outros percursos que vale conhecer.
Check dates and availability ↗A caminhada mais celebrada da costa
Bem acima da estrada, ao longo da crista da montanha, corre a trilha que todos querem dizer quando falam em caminhar pela Costa Amalfitana: o Sentiero degli Dei, a Trilha dos Deuses. O nome captura a sensação — um percurso que atravessa os penhascos a centenas de metros acima do mar, com as vilas, os terraços e o golfo azul estendidos lá embaixo, e nada entre você e a vista. É antiga, uma rota outrora percorrida por quem cultivava essas encostas impossíveis, e não exige ingresso, guia ou reserva. Para muitos caminhantes, é a melhor coisa da costa, justamente porque oferece o que nenhum veículo alcança: a costa vista por inteiro, de cima, em quase silêncio, com os próprios pés.
O percurso, em linhas gerais
A caminhada clássica vai de Bomerano, um povoado de Agerola no alto do planalto, na extremidade oeste, em direção a Nocelle, uma vila minúscula empoleirada acima de Positano. Fazendo nessa direção, a partir de Bomerano, você caminha em grande parte descendo, com as melhores vistas à sua frente e não atrás de você, e é por isso que a maioria das pessoas escolhe esse sentido. Em Nocelle, uma longa escadaria desce até a estrada acima de Positano, onde um ônibus ou um lance íngreme de degraus leva você até a cidade. Dá para percorrer no sentido contrário e subir, mas é um dia mais difícil. As distâncias são modestas, mas este é terreno de montanha, não um passeio, então reserve muito mais tempo do que um mapa sugere e verifique as condições atuais da trilha localmente antes de partir.
Como é na prática
Não deixe a fama enganá-lo a ponto de subestimar: a Trilha dos Deuses é uma caminhada de verdade. O terreno é irregular — rocha, poeira, pedras soltas e raízes — com trechos expostos onde o vão se abre perto do caminho e a pisada exige atenção. Há pouca sombra em grande parte do percurso, então o calor do meio-dia no verão é castigador, e há trechos em que ter uma boa cabeça para alturas realmente ajuda. Nada disso torna difícil para um caminhante razoavelmente em forma, mas não é um passeio para sandálias ou crianças pequenas, e não é lugar para pressa. O que você ganha em troca é ininterrupto: encostas em terraços descendo até o mar, as ilhas Li Galli ao largo, Positano aparecendo lá embaixo, e um silêncio que a estrada nunca tem. Vá devagar e será inesquecível.
Outras trilhas que valem conhecer
A Trilha dos Deuses é o destaque, mas a costa é entrecortada por antigos caminhos para quem quer mais. Acima de Amalfi, o Valle delle Ferriere sobe por um vale verdejante alimentado por nascentes, passando pelas ruínas de antigas ferrarias e samambaias raras, até um mundo mais fresco e verde do que a costa escaldada pelo sol lá embaixo. Antigos caminhos de mula em degraus ainda ligam as cidades — a subida entre Atrani e Ravello é uma escadaria de séculos que se percorre a pé, e trilhas entre pomares de limoeiros serpenteiam pelos terraços ao redor de Maiori e Minori. São paisagens de trabalho tanto quanto cênicas, e caminhar por elas é o mais perto que você chega de como a costa se movia antes da estrada. Como sempre, as condições variam com o clima e a estação, os caminhos podem sofrer erosão e a sinalização é irregular, então pergunte localmente e leve um mapa de verdade em vez de depender do celular.
Questões práticas: calçado, água, tempo
Há alguns pormenores que separam um dia perfeito nestes trilhos de um dia miserável. Use sapatos de caminhada a sério, com boa aderência — nada de sandálias nem ténis de moda — porque o terreno é solto e irregular. Leve mais água do que acha que vai precisar; há pouca sombra e nenhuma loja na crista. Comece cedo para escapar ao calor e aos caminhantes do meio-dia, e vá na primavera ou no outono se puder, quando a temperatura é amena e as encostas estão verdes em vez de queimadas. Leve proteção solar, chapéu e algo quente para o topo exposto, e consulte a meteorologia, porque as nuvens podem engolir as vistas e a chuva torna a rocha escorregadia. Se sofre de vertigens, saiba-o com antecedência. Diga a alguém o seu plano e não conte com rede de telemóvel durante todo o percurso.
Como encaixá-lo numa viagem — e vale mesmo a pena?
O Caminho dos Deuses não cabe num passeio de carro de um dia — é uma caminhada de uma manhã ou mais, que merece um dia próprio em vez de ser espremida entre paragens citadinas. Vale a pena planear: se está decidido a percorrê-lo, reserve um dia inteiro só para isso, idealmente ficando perto de Positano ou lá em cima em Agerola, para que o início e o fim sejam geríveis. Muitos caminhantes combinam o trilho com uma tarde preguiçosa na praia de Positano depois, com os músculos bem merecidos. Vale o esforço? Para quem gosta de caminhar, sem dúvida — é a melhor experiência gratuita da costa, e mostra-lhe um lado da Costiera que as multidões à beira-mar nunca veem. Meça-o honestamente com a sua condição física, respeite a montanha, e pode ser o dia de que mais se vai lembrar.